Poesia Completa / Emily Dickinson - Vols. 1 e 2
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Poesia Completa / Emily Dickinson - Vols. 1 e 2
Poesia Completa / Emily Dickinson - Vols. 1 e 2
R$ 230,00
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- / Vol. I - Os Fascículos. Editora Unb. Ano 2020. Tradução: Emily Dickinson (1830-1886) é talvez a mais importante voz feminina da poesia de língua inglesa. Menos reclusa que compenetrada, e dotada de extraordinária erudição científica e literária para uma mulher do seu tempo. Ela escreveu, ao longo de trinta e poucos anos de atividade literária, cerca de 1.800 poemas e travou correspondência intensa com diversos amigos, escritores e intelectuais. Apesar de ser conhecida do leitor brasileiro desde que foi traduzida por Manuel Bandeira (já no final dos anos 1920), a obra de Dickinson aqui sempre foi publicada na forma de antologias, as quais, em que pese a qualidade da tradução, muitas vezes impedem a leitura contextualizada de seus poemas.

Nesta edição bilíngue, a tradução se move, ao contrário, em dois eixos: costura e sutura. A costura corresponde ao respeito à integridade da obra, ao trabalho crítico-textual de trazer um texto íntegro e completo. A sutura, por outro lado, aponta para o que não se quer fechar na poesia de Dickinson, em termos de sentido, ou para o seu mais-valor literário, que é sempre uma meta e, por ser meta, melhor se traduz ao modo da metáfora. Sendo assim, qualquer ideia de fidelidade absoluta (ao ritmo, à imagem e ao pensamento) permanece apenas como ideal paradisíaco, do qual só os leitores, no confronto entre o original e a tradução, poderão realmente usufruir.
Vol. II Folhas soltas e perdidas. Neste volume, acompanhamos Dickinson fora do âmbito dos fascículos, quando, depois de haver alcançado simultaneamente as fronteiras mais longínquas de seu estilo e os limites do livro-códice, ela entrou mais uma vez numa fase de profunda experimentação. Aqui, longe da ordem dialética dos fólios, e para além de um locus de poder, a ambição de Dickinson foi redirecionada, e sua escrita – uma escrita sem fim – deixou-se governar pelo Eros da invenção. Marcados por notáveis e novos passos rumo ao exílio e à alegria, ao desprendimento e ao deleite, tais textos também nos levam a conhecer mais a fundo o processo lírico de seus esboços, quando a mão que corre pelas folhas soltas é acometida e tomada por uma estranha agência, por um Outro que, como a poeta escreveu, “baixa” e “toma conta da mente da gente”. Aí as palavras, que esperam quietas os pensamentos, de repente os capturam em arapucas, traçando uma trilha numa escrita que segue o passo destes – e, quiçá, os ultrapassa. Dos pássaros, que são corporificações de seus poemas, Dickinson enunciou este auspício: “Esses testaram o nosso horizonte”. As traduções exorbitantes de Adalberto Müller querem acompanhá-los em sua rota, reportando sua crise estilística no presente tenso de uma nova linguagem. (Marta Werner)